Crônica: A VIDA SE CONSTRÓI AOS POUCOS
Por: Eli Vieira Xavier
Não nasci em berço esplêndido, filho de
mais seis irmãos, de pais retirantes do nordeste, que depois de passarem por
outros estados, fizeram morada em Santos.
Desde muito cedo, já ganhava meu
dinheirinho, vendendo ferro velho, cobre, papelão e até cacos de vidro.
Para ir ao cinema, vendia gibis,
revistas e outros quetais na porta do cinema, na primeira seção, para ganhar
uns trocados e poder pagar meu ingresso para a segunda seção.
Meu pai tinha por hábito arrumar o
primeiro emprego para os filhos homens quando completassem treze anos. Não é
como hoje, onde até se proíbe que menores de 16 anos não possam trabalhar, e
olha que lá no passado ninguém precisava lavar para-brisa de carros, vender
guloseimas nos faróis e ninguém virou bandido ou delinquiu.
Já fui lavador de privadas, trabalhei no
Serviço Semafórico do Porto de Santos, trabalhei em comissárias de despachos e
hoje, com setenta e um anos, e cincoenta e cinco anos depois ainda estou na
área do comércio exterior.
Consegui construir tudo aos poucos e com
muita persistência. Orgulho-me ser uma despachante “OEA” (Operador Econômico
Autorizado) reconhecido pela Receita Federal do Brasil, mesmo após eles (Receita)
darem uma caducidade à minha nomeação, e dos outros trinta e dois despachantes
brasil afora.
Nunca me deram um peixe, consegui tudo
com muito estudo, suor e dedicação, até advogado com carteira da ordem eu me
orgulho de ter.
Tento ensinar os outros a pescarem e não
receberem tudo de mão beijada, pois a vida se constrói aos poucos.
Santos, 23 de outubro de
2025
Eli Vieira Xavier,
Despachante Aduaneiro, Fundador da Lenivam
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